Razões para assistir “M-8: Quando a morte socorre a vida”

O filme brasileiro “M-8: Quando a morte socorre a vida” conta a história de Maurício (Juan Paiva), estudante calouro do curso de Medicina em uma Universidade Federal. No curso, ele observa que é o único aluno negro entre os estudantes, enquanto os corpos dos mortos que vão ser estudados na aula de anatomia são de negros. Durante o semestre, encontrar a identidade do cadáver M-8 passa a ser uma questão espiritual e pessoal para Maurício, além de enfrentar o racismo entre colegas e na rua.

Confira as razões para conhecer o longa que estreia dia 03 de dezembro:

A força do elenco

Além do protagonista Juan Paiva, o elenco tem atores pretos que dão mais força à trama. Raphael Logam, Zezé Motta, Aílton Graça, Rocco Pitanga, Mariana Nunes e Lázaro Ramos refletem com maestria o racismo estrutural da sociedade brasileira e entregam um trabalho comovente. 

M-8 - Quando a Morte Socorre a Vida?, de Jeferson De, ganha trailer -  15/06/2020 - UOL Entretenimento

A luta anti- racista

Os diálogos e acontecimentos em torno do preconceito racial divide o mundo do personagem em dois. O protagonista se encontra inserido na realidade de uma maioria branca na universidade e vem de uma realidade pobre em que seus vizinhos e conhecidos são negros. A trama não relaciona apenas a dor e sofrimento que o racismo causa, mas a necessidade de enfrentá-lo no cotidiano, de se mover para mudar situações.

M8 - Quando a Morte Socorre a Vida - Festival do Rio

O reflexo da realidade

As mães que protestam pelo desaparecimento de seus filhos não estão na trama ao acaso para criar uma ligação com o protagonista e fazer uma representação, mas sim uma realidade. Entre 12 e 26 de maio de 2006, 564  pessoas foram  mortas em São Paulo por arma de fogo. A razão do massacre foi um ataque da facção PCC (Primeiro Comando Capital) à agentes da segurança pública, o que levou à retaliação da polícia.

Delegacias, carros e bases da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Guarda Civil Metropolitana foram atacadas. Em contraponto, estudos apontam que, principalmente nas periferias da capital, interior e litoral, houve muitos ataques contra civis, sendo que nem todos os suspeitos têm, até hoje, envolvimento comprovado com o crime organizado. O movimento Mães de Maio até hoje existe e defende o fim do genocídio à população negra e periférica.

Mães de Maio: a reação contra a violência do Estado | Direitos Humanos

 Além disso, a presença da imagem de um grafite num muro da rua onde o protagonista mora e aparece em vários momentos do filme, reforça uma mensagem importante:  “Marielle presente”.

Cinema nacional: 'M8 - Quando a Morte Socorre a Vida' (2020)

Religião fora de estigmas

A presença da umbanda como religião do protagonista sem estereótipos a serem discutidos ou intolerância religiosa por parte dos colegas de universidade abre portas para que mais personagens expressem alguma religiosidade nas tramas brasileiras. É importante a representatividade religiosa para que os preconceitos sejam cada vez mais desmistificados.

M8 - Quando a Morte Socorre a Vida - YouTube

Uma outra opção enquanto o filme não estreia.

O filme é baseado no livro homônimo de Salomão Polak, que foi lançado em 1996. Pode ser encontrado em sebos virtuais ou revenda de sites e que podem gerar diferentes perspectivas da mesma história.

Indicação ao Oscar

O filme está na disputa da vaga brasileira para “Melhor Filme Estrangeiro” no Oscar, uma das maiores premiações do cinema mundial. A produção foi dirigido por Jeferson De. A comissão que seleciona o indicado brasileiro, sob responsabilidade da Academia Brasileira de Cinema, deve divulgar o resultado no dia 13 dezembro.